Reforma Católica – Tribunal do Santo Ofício e Index – Resumo

By | junho 10, 2016

Em parte como resposta ao movimento protestante, mas também atendendo à necessidade de adaptação aos novos tempos e de correção de algumas condutas, a Reforma Católica (Contra-Reforma) constituiu um movimento de reformulação doutrinal e administrativa no interior da Igreja. Pela ótica católica, era preciso combater a heresia protestante e impedir sua proliferação no continente europeu, e, além disso, reafirmar os dogmas da Igreja e estabelecer a vigilância sobre as práticas religiosas dos fiéis.

Essa nova orientação foi estabelecida pelo Concílio de Trento, assembléia de religiosos que se reuniu de 1545 a 1563.

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Tribunal do Santo Ofício e os Livros Proibidos

O concílio manteve o latim como a língua litúrgica e dos textos bíblicos, e reafirmou a infalibilidade do papa, a proibição do casamento para padres e freiras, e a validade das práticas piedosas e da participação nos sacramentos para a salvação da alma (batismo, crisma, eucaristia, matrimônio, confissão, ordem, extrema-unção). Além disso, restabeleceu o Tribunal do Santo Ofício (a Inquisição), órgão responsável por julgar atos dos católicos considerados contrários à fé, e elaborou o Index Librorum Proibitorum, uma lista de livros proibidos, cujos exemplares eram retirados de circulação e queimados, e cujos autores eram encaminhados a julgamento.

Index Librorum ProibitorumEntre os livros proibidos estava O príncipe, de Maquiavel. À Igreja recusava a concepção de Estado de Maquiavel e reafirmava os laços entre a fé cristã e a monarquia. Completando a ação dos tribunais da Inquisição, os Estados monárquicos promoviam a punição dos culpados, com prisões, degredos e execuções.

Outro instrumento importante da Reforma Católica foi a Companhia de Jesus, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Seus membros, os jesuítas, seguiam uma rígida disciplina, que lembrava a das organizações militares, e destacaram-se por seu papel missionário na América, África e Ásia, e pela ação educativa desenvolvida em seus colégios.

No Novo Mundo, a tarefa dos jesuítas consistia em converter os negros da terra à religião católica. A ampliação das fronteiras dos impérios ibéricos deveria significar a ampliação das fronteiras da fé, pelo ingresso de milhares de novos seguidores e pela afirmação das instituições eclesiásticas. O empenho dos jesuítas, com sua importantíssima atuação na catequese de índios, na formação de religiosos e na educação dos colonos laicos, foi decisivo.

Assim, ao mesmo tempo que fortaleciam a combatida Igreja Católica, as Coroas de Portugal e da Espanha assumiam definitivamente o papel de instrumentos para a salvação da humanidade. Evidentemente isso representava um reforço ao poderio monárquico. Seus reis, de forma semelhante ao que ocorria com os papas, começaram a ser definidos como “vice-cristos”, delegados de Deus na Terra.

 

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