A Crise do século XIV – Resumo de História

By | junho 10, 2016

Entre permanências e modificações, emergiu a crise do século XIV. Más colheitas, fome, declínio populacional,
pestes, estagnação da produção, desemprego, inflação, guerras devastadoras, abandono de aldeias e rebeliões violentas nas cidades e nos campos. Para a sociedade medieval, o período compreendido pelo século XIV e princípios do século XV foi uma era de adversidades.

Para a religiosidade medieval tais catástrofes provocavam histeria, alimentavam superstições populares e aceleravam transformações. Agravando a crise, a produção agrícola despencou.
Na economia comercial, a escassez da prata, por problemas técnicos no aprofundamento das minas, provocou a desvalorização das moedas e a inflação, que atingiu particularmente a nobreza feudal. Os preços dos produtos manufaturados de luxo, muito procurados pela nobreza, tiveram rápida elevação. Ao mesmo tempo, os tributos recolhidos pela nobreza aos camponeses diminuíram.

Peste Negra

Os milhões de mortes resultantes da peste negra fizeram a produção de alimentos e mercadorias baixar muito
e alguns preços disparar. Os nobres tentaram lançar sobre os camponeses o peso da crise, quando o valor da terra
caiu e a renda agrícola diminuiu. Uma lei decretada na Inglaterra em 1349 obrigou os camponeses a trabalhar para
os senhores por salários fixos. Regulamentação semelhante de salários nos principados germânicos, espanhóis e
portugueses agravou as tensões entre camponeses e nobres.

Essas tensões explodiram em rebeliões. já em 1323, bem antes da ocorrência da peste, os camponeses de Flandres haviam se rebelado contra a tentativa dos senhores de restabelecer velhas obrigações. A revolta durara cinco sangrentos anos.

Em 1358, os camponeses franceses pegaram em armas em protesto contra os saques dos campos pelos soldados. Cerca de 20 mil deles morreram no levante conhecido como jacquerie. Em 1381, os camponeses ingleses revoltaram-se contra a legislação que os prendia à terra e impunha novos tributos. Como as revoltas em Flandres e na França, o levante inglês também fracassou.

Guerras e Destruição

Numerosas guerras devastaram as cidades e os campos. Para que os exércitos inimigos não tivessem alimentos,
não se cultivava nada. Os invasores, por sua vez, arrasavam as plantações que encontravam para abater o moral do inimigo, e grupos de soldados desligados do exército saqueavam as fazendas.

Guerra dos Cem Anos (1337-1453)

A mais destruidora dessas guerras foi a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a França e a Inglaterra, envolvendo questões sucessórias e o domínio de Flandres. Durante seu transcurso, os reis franceses impuseram tributos que aumentaram significativamente as rendas do Estado e proporcionaram meios de organizar um exército profissional de soldados. A guerra contribuiu para acelerar a unidade nacional tanto entre os franceses como entre os ingleses.

Poder e Cultura

Em meio à desorganização social que se seguiu, boa parte do poder se transferiu para as mãos daqueles que controlavam os exércitos e as rotas de comércio. Monarcas militarizados suprimiram a independência do clero e as liberdades das universidades para afirmar seus poderes temporais.

As universidades perderam seu caráter de associação internacional de estudiosos para se transformarem em organizações nacionalistas submissas aos monarcas e que censuravam “pensamentos perigosos” ao bom funcionamento dos estados nascentes.

As instituições medievais mostravam então sinais claros de desmoralização.

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