O Batismo da América – Resumo de História

By | junho 10, 2016

A cada passo da aproximação e da conquista das novas terras, os portugueses repetiam as atitudes de Adão ao tomar conhecimento dos animais: conferiam nomes aos lugares. Primeiro, Monte Pascoal, ao avistarem terras à época da Páscoa.

Terra de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz para definir a vinculação das possessões à cristandade. Baía de Todos os Santos, São Vicente, São Sebastião do Rio de Janeiro, São Paulo, todos os nomes das regiões referiam-se ao santo padroeiro do dia de sua conquista pelos portugueses. O batismo da nova terra antecedeu o batismo dos nativos. Como na Bíblia, nomear era uma forma de exercer o domínio e o controle simbólicos daquilo que se nomeia.

Desde o primeiro relato produzido após a chegada de Cabral – a conhecida carta de Pero Vaz de Caminha—, a postura dos portugueses era bastante clara. Chocavam-se com a nudez daqueles que “não cobrem suas vergonhas” e mostravam-se surpresos com a “preguiça”: “não lavram, nem criam. Não há boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha”, nem outro animal de criação para a alimentação dos homens.

As terras, apesar de não se saber da existência de metais e pedras preciosas, possuíam “bons ares”, “águas infindas” e solos férteis, onde tudo poderia ser plantado. Apesar disso, Caminha chegou a insinuar a semelhança com o Paraíso Terrestre: “a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria menor”. Mas, ainda segundo o escrivão de Cabral, “o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

A  conquista do Novo Mundo foi interpretada como o acontecimento mais importante desde a encarnação de Cristo. A descoberta de milhões de homens que habitavam a América e o estabelecimento de contatos freqüentes com a África e a Ásia eram vistos como a possibilidade de incorporar todos os povos pagãos ao corpo da cristan- dade. Assim, vivia-se uma época de preparação para o Juízo Final, de anúncio da palavra de Deus. A justificativa para a expansão marítima, de alargamento das fronteiras da verdadeira fé e de catequese universal, ficava portanto confirmada.

Muitos navegadores, a começar por Colombo, imaginavam-se como auxiliares de Deus na obra da Redenção. A conversão de todos os povos, que haveria de antecipar o Fim dos Tempos, segundo os livros bíblicos, foi levada adiante pela cruz e pela espada. Aos ingênuos, aqueles considerados apenas ignorantes da verdade cristã, foram apresentados os símbolos e os dogmas da religião dos europeus.

Aos pagãos, a todos os que cultuavam outros deuses e recusavam-se a abandonar suas crenças, ficou reservado o combate pelas armas. Uma nova cruzada estava em curso, dirigida principalmente pelos ibéricos, e tinha como metas combater os infiéis (muçulmanos e judeus) e os indígenas, e purificar os pecadores (negros africanos).

Diante da responsabilidade e da urgência da missão evangélica, os padres e monges mostravam-se impacientes. No México, alguns religiosos chegaram a batizar milhares de índios num só dia. De tanto erguer a vasilha de onde derramavam água sobre as cabeças dos nativos, os religiosos mal conseguiam erguer seus braços ao final do dia, tamanha era a dor que sentiam. Batizados à força e sem prévia catequese, os índios não se comportaram como era esperado pelos seus conversores. Resultado: muitos foram espancados para abandonar seus costumes contrários à religião cristã.

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