Cruzadas – Guerra Santa – Resumo de História

By | junho 9, 2016

As cruzadas foram expedições medievais realizadas em nome de Deus em direção à Terra Santa (como era chamada a Palestina, pelos cristãos). 

O desejo ardente de ganhar o Reino dos Céus e interromper os sofrimentos mundanos encaminhou o homem medieval a duas direções. Na primeira, a conquista do Reino Eterno seria realizada após o Juízo Final, e os justos seriam erguidos para o mais alto ponto do universo celestial, morada de Deus. Não se tratava exatamente do Paraíso perdido, mas de uma nova morada, uma cidade, a Jerusalém Celeste, que abrigaria a humanidade libertada do pecado pelos ensinamentos de Jesus Cristo.

No entanto, muitos praticaram um tipo de devoção mais concreta, que muitas vezes ultrapassava os limites estabelecidos ou pretendidos pela Igreja. Aguardavam o Reino Eterno, mas procuravam na Terra alguma forma de recompensa imediata para sua fé.

Durante o período medieval, a busca de objetos sagrados, túmulos e restos mortais de apóstolos e santos tornou-se prática regular. As peregrinações a lugares sagrados significavam sacrifícios (tarefas sagradas) que podiam, pelo desejo intenso, antecipar a salvação dos fiéis. Assim, o cansaço das viagens, os perigos, as privações, os flagelos, em suma, todas as dores vividas pelo peregrino eram tidas como imitação do sofrimento de Cristo, que levaria ao reino de Deus por estradas bem materiais.

 

As Cruzadas

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Transpor as florestas por caminhos mais ou menos arriscados acabou por lançar os andarilhos medievais nas fronteiras da cristandade. Para além dos domínios cristãos existia uma diversidade de povos pagãos e os “infiéis” muçulmanos. Não haveria maior prova de fé que enfrentar tais inimigos.

Por trágica ironia, a Palestina, a região mais sagrada para os cristãos, estava sob domínio muçulmano desde o século VII. Grande parte dos acontecimentos descritos pelo Antigo Testamento transcorreram na Palestina.

As lutas dos judeus contra seus inimigos; sua volta à terra de origem após o cativeiro no Egito; os novos castigos impostos por Deus; a conquista da cidade de Jerusalém pelos babilônios; a dispersão dos judeus pelo mundo e a promessa de um retorno definitivo à Terra Prometida eram lembranças guardadas pela Bíblia e transmitidas pelo clero aos cristãos.

Ali também havia transcorrido praticamente todo o drama da vida de Cristo, desde seu nascimento em Belém até a crucificação em Jerusalém. Muitos cristãos dirigiam-se à Terra Santa para conhecer e adorar a região onde Cristo teria vivido. Outros, participantes de verdadeiras peregrinações armadas, as Cruzadas, procuraram conquistar pela força das armas os lugares desejados pela fé.

Ao mesmo tempo em que realizavam as peregrinações à Palestina, os cristãos mantinham-se atraídos pelas imagens de abundância e beleza do Paraíso Terrestre propagadas pela Igreja.

A terra de onde fluiriam rios de leite e mel também possuiria a Árvore da Vida e a fonte da juventude, que impediriam a morte e o envelhecimento, além de ouro, prata e todas as pedras preciosas em quantidades extraordinárias. As descrições bíblicas faziam acreditar que o Éden se localizava sobre a mais alta montanha do Oriente, num ponto próximo à Palestina.

Para alguns, a montanha que sustentava o Éden era tão elevada que chegava a atingir a esfera da Lua e teria assim ficado a salvo da destruição provocada pelo Dilúvio bíblico. Outros fixavam a localização do Paraíso em alguma ilha fantástica, se- parada dos homens por águas perigosas e assustadoras.

De uma ou outra forma, a obsessão pela materialidade desse lugar sonhado traduziu-se em expedições e em relatos de viagens que despertavam grande interesse em todos os níveis da sociedade medieval, dos mais humildes camponeses até os mais poderosos membros da aristocracia senhorial.

Mais do que simples fantasias ou delírios de uma sociedade extremamente religiosa, as representações do Paraíso continham os desejos e as expectativas dos homens medievais. Muitas vezes, por trás dessas descrições havia críticas à sociedade da época.

A capacidade imaginativa do homem medieval levou-o a elaborar diversos outros lugares fantásticos, na maioria das vezes situados no Oriente. Remos misteriosos e exóticos, ilhas repletas de riquezas e seres estranhos, povos que praticavam canibalismo e mantinham todo tipo de relações sexuais eram temas de relatos de viajantes que haviam transposto os limites da cristandade.

Por exemplo, no século XII, entre a segunda e a terceira cruzadas, começaram a circular na Europa notícias sobre um rei-sacerdote cristão, possuidor de um rico e poderoso reino situado na Índia. O Preste João, como era chamado, estaria combatendo os muçulmanos a partir do Oriente e teria quase chegado a conquistar a Terra Santa. A proximidade com as terras do Paraíso fazia com que predominasse no reino um ambiente de paz e harmonia, onde se guardavam relíquias sagradas e onde havia uma fonte da juventude que impedia o envelhecimento e proporcionava saúde àqueles que bebessem de suas águas.

 

 

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